Beau Butler, Dcbrne e Rossilino – Sexo e muito tesão

O sol da tarde incendiava os vitrais da igreja abandonada. Beau Butler apoiou o cavalete no chão de pedra, os pincéis alinhados como soldados. Pintava a luz, tentava capturar o instante em que o dourado tocava o altar vazio.
— Parece que os anjos ainda moram aqui — uma voz veio da entrada.
Beau virou-se. Dcbrne apoiava-se num cajado improvavelmente esculpido, a barba branca contrastando com os olhos azuis de menino. Trazia uma rosa do deserto na mão.
— É para o altar? — Beau perguntou.
— É para quem souber receber.
Colocou a flor sobre uma pedra e sentou-se nos bancos empoeirados, observando o pintor. Não disseram mais nada. O silêncio preenchia o espaço como antigas orações.
Quando a luz morreu, Rossilino chegou montado numa bicicleta enferrujada, trazendo pão e vinho num cesto.
— A ceia dos anjos — sorriu, repartindo o alimento.
Comeram ali, os três, enquanto a noite vestia o lugar de estrelas. Beau percebeu, então, que algumas capelas não precisam de padres. Apenas de almas dispostas a repartir o sagrado.






