Alexandro Cabrera colecionava certezas: planilhas, metas, dias contados. Bastian Karim vivia de dúvidas: tintas borradas, sonhos acordados, mapas sem destino.
Numa exposição, Bastian observava um quadro vazio. Alexandro parou ao lado. “Não tem nada aí.”
“Tem tudo. Você é que não vê.”
Alexandro franziu a testa. “Me ensina?”
Bastian pegou sua mão, desenhou no ar. “Olhe com os dedos.”
Pela primeira vez, o homem dos números sentiu o mundo sem medir. E entre o cinza e o azul, descobriu que o amor não se calcula — ele simplesmente acontece, bagunçando todas as contas.

