Bastian Karim era sonho: dedos que desenhavam luas no ar. Leo Domenico, pragas: língua ferina, gargalhada que ecoava. Manuel Reyes, o fogo manso, ficava no meio, apagando incêndios.
Numa briga absurda sobre filmes, Bastian saiu chorando. Leo riu. Manuel o calou com um olhar.
“Vai atrás dele”, disse Manuel.
Leo encontrou Bastian no escuro. “Sou chato”, admitiu.
“É”, respondeu Bastian, ainda de costas.
“Mas quero aprender a ser menos.”
Bastian virou-se. O perdão veio antes do beijo. E Manuel, ao fundo, sorriu — porque amar também é saber juntar os pedaços dos outros.

