Bastian Karim sempre desenhou amores que nunca viveu: corpos entrelaçados em cadernos, beijos inventados. Kamasutro era o oposto: vivente de carnes, gozos e curvas reais.
Numa livraria noturna, Bastian folheava um livro antigo. Kamasutro surgiu atrás.
“Desenha bem. Mas e na prática?”
Bastian corou. “Teoria basta.”
“Teoria não beija.”
Kamasutro tomou sua mão, guiou até seu próprio peito. Bastian sentiu o coração bater. Desenhou o momento depois, em casa, sozinho. Mas pela primeira vez, o desenho tremia — porque o amor real não cabe em papel.

