Na cidade cinza de Heliópolis, onde as luzes dos postes ofuscavam as estrelas, Apollo Arose era um vigia noturno do Observatório Municipal. Seu trabalho era solitário: monitorar telas que mostravam o vazio do espaço, já que os telescópios de verdade raramente eram usados. Seu nome, herdado de um pai obcecado por mitos, parecia uma piada. Que tipo de Apolo passa a vida olhando para um céu que ninguém mais vê? Seu mundo era de silêncio, protocolos e a saudade constante de um sol que não nascia para ele.
Tudo mudou quando o caos se mudou para o andar de baixo.
O antigo planetário, fechado há anos, foi alugado por um artista multimídia conhecido apenas como Vitorlxix. O nome, uma única palavra fluida e digital, brilhava na porta em néons azuis. Em poucos dias, o local silencioso se encheu de um zumbido constante de computadores, batidas de música glitch e risadas altas. Vitorlxix não estudava o cosmos; ele o recriava. Suas instalações eram explosões de luz laser, projeções de buracos negros dançantes e sons que pretendiam ser a voz das estrelas.

