Alurdun Finn (alurdun) and Parker Nolan (parkernolanx) flip fuck
O silêncio no estúdio de Alurdun Finn era quebrado apenas pelo ruído de fundo de um sintetizador, um zumbido baixo e atmosférico que parecia vir das paredes. Alurdun, de headphone cobrindo as orelhas e olhos fixos em uma tela cheia de formas de onda, manipulava camadas de som como um escultor trabalhando com névoa. Sua música era um ambiente, um lugar para se perder.
A porta do estúdio se abriu sem fazer barulho. Parker Nolan entrou como uma tempestade contida, o cheiro do ar noturno ainda grudado em sua jaqueta de couro. Ele carregava uma guitarra em um case desgastado.
— Soa como a trilha sonora de um filme onde nada acontece, Alur — disse Parker, seu sorriso era fácil, descontraído. — Onde está o gancho? Onde está o ritmo?
Alurdun não tirou os olhos da tela.
— Não é para acontecer nada, Parker. É para sentir. E tire suas botas sujas do meu tapete.
Parker riu, ignorando o pedido. Ele abriu o case e pegou a guitarra, um instrumento que parecia ter vivido mais do que os dois juntos.
— Tudo bem, maestro. Mas até os sentimentos precisam de um coração que bata. — Ele conectou o cabo em um amplificador, que rosnou como uma fera acordando. — Me dá a base daquela parte, sabe, a que soa como neve caindo em câmera lenta.
Relutante, Alurdun isolou uma seção da música. Era um tapete de pads etéreos e texturas sussurrantes, lindo e intangível. Então, Parker tocou.
Não foi um riff estridente ou um solo acelerado. Foram notas espaçadas, ressonantes, que ecoavam no espaço que a música de Alurdun criava. Cada nota era como uma batida de coração, um farol no meio da névoa sonora. A melodia era simples, quase melancólica, mas dava um esqueleto, uma âncora emocional para a qual o ouvinte podia se agarrar.
Alurdun tirou os fones de ouvido, deixando que o som enchesse a sala. Ele observou Parker, cujos olhos estavam fechados, totalmente imerso no fluxo. A paisagem gelada que Alurdun construíra ainda estava lá, mas agora havia alguém caminhando por ela, sentindo seu frio e sua solidão.




