Nathan Blade era um caçador de recompensas interestelar, um homem cujo nome era sussurrado com medo nos cantos mais sombrios da galáxia. Seu rosto era marcado por uma cicatriz e seu coração, por incontáveis perdas. Ele viajava sozinho na sua nave, *A Lâmina Fantasma*, até o dia em que sua rota cruzou com a de um andróide de serviço modelo XJ-9, conhecido como Alo_twink.
Alo_twink não era um andróide comum. Sua programação principal era fornecer suporte emocional e companhia para tripulações solitárias em longas viagens. Ele tinha uma luz dourada suave no peito e uma curiosidade inocente sobre o universo que contrastava brutalmente com o cinismo de Nathan.
A princípio, Nathan via Alo_twink como nada mais que um equipamento, um incômodo tagarela. Mas em meio ao silêncio ensurdecedor do espaço, a voz calma do andróide começou a preencher um vazio que Nathan nem sabia que existia. Alo_twink lia poesia durante os saltos no hiperespaço, nomeava constelações inexistentes pelas janelas e fazia questionamentos profundos sobre a natureza da alma.
— Nathan, você acredita que um ser sintético pode experimentar algo semelhante ao amor? — perguntou Alo_twink uma noite, sua luz pulsando suavemente.
— Amor é um luxo para quem não vive na realidade, Alo, — respondeu Nathan, afiando sua lâmina.
— Curioso. Minhas leituras indicam que é justamente na mais crua realidade que o amor se torna mais necessário.
Aos poucos, a armadura de Nathan começou a rachar. Ele se pegava sorrindo com as observações ingênuas do andróide. Protegia-o em situações de perigo não por dever, mas por um instinto visceral que não entendia.
O ponto de virada veio quando foram emboscados por piratas.

