Alex Kof, Derek Spears

Derek Spears comandava a pista de patinação com agressividade pura, suas lâminas riscando o gelo com fúria competitiva. Alex Kof, o novo zelador da arena, limpava as marcas meticulosamente, sempre em silêncio, após os treinos.
Era um ritual não dito. Derek desafiava o gelo; Alex restaurava sua paz. Um dia, após uma queda violenta, Derek ficou sentado no gelo, a frustração tomando conta. Alex não trouxe apenas a pazinha. Aproximou-se e estendeu uma garrafa de água.
“Sua entrada foi muito aberta”, disse Alex, suavemente. “O gelo sentiu sua hesitação.”
Surpreso, Derek aceitou a água. “Você entende de patinação?”
“Entendo de gelo”, Alex respondeu com um pequeno sorriso. “E ele me conta tudo.”
A partir daí, as noites mudaram. Derek patinava, e Alex, da beirada, fazia pequenos ajustes com gestos quase imperceptíveis. Derek passou a voar de verdade, sua agressividade transformada em graça.
Na véspera da competição final, Derek encontrou o gelo perfeitamente preparado e, no meio da pista, um único patinho de gelo, feito à mão. Alex estava ali, de pé.
“Para boa sorte”, disse Alex.
Derek pegou o patinho, seu coração batendo mais rápido que qualquer pirueta. “A única sorte que preciso já encontrei.”




