Alex Gavase e Apolo Adrii fuderam muito
O sol se punha sobre o lago, tingindo a água de laranja e rosa. Alex Gavase ajustou o cavalete na margem, os pincéis alinhados, a tela em branco esperando. Pintava sempre ali, sozinho, buscando capturar a luz que fugia tão rápido.
— Posso sentar aqui?
A voz era macia. Alex virou-se. Apolo Adrii apontava para uma pedra próxima, um caderno de poesias nas mãos, os olhos castanhos refletindo o poente.
— Claro.
Apolo sentou-se, abriu o caderno, escreveu algumas linhas. Alex voltou-se para a tela, mas seus olhos escapavam para o perfil do rapaz, para o jeito que o vento bagunçava seus cabelos.
— Sobre o que você escreve? — perguntou, sem conseguir conter a curiosidade.
— Sobre cores que não posso ver — Apolo respondeu, erguendo os olhos. — E sobre pintores que não sabem que estão sendo observados.
Alex corou. O pincel escorregou na tela, criando um risco desnecessário. Apolo sorriu, aproximou-se, olhou a pintura.
— Você me colocou aí.
E era verdade. No canto da tela, uma figura pequena escrevia à beira do lago.
— É seu, se quiser.
Apolo aceitou. E na tarde seguinte, voltou. Dessa vez, para posar.






