Alejo Ospina and Stereo92 fuck

Alejo Ospina passava as noites dirigindo. Sem destino, sem pressa. O rádio era sua única companhia, e vivia preso na mesma estação: Stereo92.
Não que reclamasse. A voz do locutor era grave, calma, como quem conhece todas as solidões do mundo. “Essa vai para quem dirige sem rumo,” ele disse uma noite. Tocou jazz. Alejo sorriu.
Começou a ligar. Não para pedir música, só para ouvir a voz ao vivo. Nunca falava, só respirava e desligava. Até que uma noite, Stereo92 disse:
“Se você é o cara das ligações silenciosas, fica na linha hoje. Dez segundos.”
Alejo segurou o fôlego. Contou. Um, dois, três…
“Já sei teu número de cor,” a voz continuou. “E já decorei teu jeito de respirar. Aparece aqui amanhã. Traz um café.”
Alejo desligou, o coração acelerado. No dia seguinte, parou em frente à rádio. Vidro fumê, porta de ferro. Esperou.
Um homem saiu, parecendo cansado. Segurava dois copos de café.
“Alejo?”, perguntou.
Alejo assentiu.
O homem entregou um copo. “Stereo92. Mas pode me chamar de Miguel.”
Ficaram ali, em silêncio, tomando café. Pela primeira vez, o silêncio não precisava de música.




