Agus Merlo, Ema Sagitrd, and a short wrestling fantasy – Kostya Kazenny
O armazém de antiguidades de Agus Merlo cheirava a madeira encerada, livros velhos e segredos. Era um labirinto de relíquias e memórias esquecidas, um reflexo perfeito do seu proprietário: um homem de meia-idade, metódico e com um coração que batia no compasso tranquilo de um relógio de pêndulo.
Tudo mudou numa tarde de chuva, quando a campainha da porta tilintou para anunciar Ema Sagitrd. Ela não entrou, ela irrompeu, trazendo consigo o cheiro da tempestade e uma energia que fez o pó secular dançar no ar. Seus cabelos eram como fogo, e seus olhos verdes desafiavam a penumbra do lugar. Trazia consigo uma pequena escultura de bronze, um pássaro com asas semifechadas.
“Preciso vendê-lo”, disse ela, sua voz um misto de urgência e cansaço. “É a última coisa que me resta.”
Agus, normalmente cauteloso, sentiu uma fissura em sua rotina. Examinou a peça, não com a frieza de um negociante, mas com a curiosidade de um arqueólogo de almas. Ele viu não apenas o valor, mas a história triste que pesava sobre aquela figura.




