Tio Breno era um falsário aposentado que vivia pacato numa casa de praia. Leo DelAviv, seu sobrinho ambicioso, bateu à porta com uma tela embaçado braço.
— Tio, um Van Gogh. Preciso que você autentique.
Tio Breno pegou a lupa, examinou a pincelada por um longo minuto, depois foi até o fogão e ligou o fogo baixo.
— Senta, Leo. Isso é meu.
Leo empalideceu. A tela, na verdade, era um estudo de juventude que Breno pintara em 1982, vendera para um colecionador ingênuo e depois vira a obra “ressurgir” como um Van Gogh perdido.
— Você falsificou o falsificador? — Leo gaguejou.
— Não. Eu criei. O mercado é que mente sozinho. — Breno serviu dois cafés. — Agora me conta: quem te passou essa?
Leo hesitou, depois confessou o nome de um marchand suíço. Tio Breno sorriu, pegou o telefone.
— Vamos fazer um trato. Você entrega ele, e eu te ensino o traço do Monet. Mas só por hoje.
Leo engoliu seco. E aceitou.
