Na cena musical underground da cidade, Danny Montero era um enigma. Todo mundo conhecia os pseudônimos: Alfonzo Zabata para as batidas de flamenco eletrônico, Ali Montero para as letras de protesto poéticas, e Danny Monteio para as baladas românticas que raramente assinava. Ele era um artista fractal, cada faceta brilhando sob um nome diferente, nunca mostrando o todo de si.
Seu produtor, o pragmático David Gold, dizia que ele precisava se consolidar. Seu empresário, Nick Gill, falava em marca. Seus colegas de estúdio, como o tecladista experimental Francisco Ruck e o baixista descontraído Marty Love, só queriam que ele soltasse a música. Mas Danny construía muros entre cada um de seus eus artísticos.
Tudo mudou na noite em que Denis Reed entrou no estúdio. Denis era amigo de Nicolas Cruz, o engenheiro de som, e tinha vindo ajudar numa mixagem. Enquanto os outros discutiam compressão e equalização, Denis ficou quieto num canto, ouvindo a demo da nova faixa de Danny – uma confusão de guitarra acústica, samples de fado e batida de trap.
No silêncio que se seguiu, Denis falou, sua voz suave cortando o ar técnico: “É lindo. Parece que o Alfonzo, o Ali e o Danny Monteio finalmente se encontraram no mesmo quarto e decidiram escrever uma carta para alguém que amam.”

