Incident 444: Disciplinary Tete-a-Tete – Kai

Tete-a-Tete não era um nome, mas um apelido que ele ganhara por falar sempre em tom confidencial, inclinando-se para sussurrar segredos que ninguém pedia. Trabalhava no sebo da esquina, e suas vítimas favoritas eram os clientes que fingiam não querer conversa. Até que um dia, um homem de óculos redondos entrou, procurando um livro raro, e não recuou quando Tete-a-Tete se aproximou.
“Você sabia que esse exemplar tem uma história?”, sussurrou ele, os olhos brilhando. O homem sorriu. “Me conte.” E foi assim que começou: tardes inteiras de segredos literários, xícaras de chá frio e mãos que se roçavam ao virar páginas. Tete-a-Tete nunca teve um ouvinte tão atento.
Numa sexta-feira, o homem chegou antes do horário e colocou um livro sobre o balcão. “Presente para você.” Tete-a-Tete abriu: era uma edição antiga de poemas de amor, com uma dedicatória escrita à mão. “Para quem sempre tem algo a dizer, mas nunca disse isso.” Ele levantou os olhos, o coração disparado. “Isso é um segredo?” O homem inclinou-se, o rosto a centímetros do dele. “É uma confissão. Agora sussurra de volta.” Tete-a-Tete sorriu, e pela primeira vez, ficou sem palavras.



