Hugo Dupre sucks Andolini in the shower

Hugo Dupre era um perfumista francês dotado de um olfato lendário. Certa manhã, recebeu em sua boutique em Grasse um visitante inesperado: Andolini, um napolitano rabudo e falante, que vendia essências raras porta a porta.
— Monsieur Dupre, tenho algo que o senhor nunca cheirou — disse Andolini, abrindo uma maleta de frascos.
Hugo ergueu uma sobrancelha. Testou cada essência, descartando quase todas com um aceno. Até que um frasco escuro o fez parar. Era terra, chuva e algo mais — algo que ele não sabia nomear.
— O que é isto?
— Segredo de família — riu Andolini. — Mas posso lhe contar… se me ensinar a arte de criar.
Fecharam negócio. Durante semanas, o napolitano rabudo trabalhou ao lado do mestre, misturando, cheirando, discutindo. Hugo, tão contido, começou a se abrir. Falaram de amor, de perdas, de sexo sem romance e romance sem sexo — das confusões do coração.
Numa tarde dourada, Andolini derramou essência nas mãos de Hugo e as aproximou do próprio rosto.
— Sinta — sussurrou.
O perfumista, dotado de razão mas faminto de sentir, fechou os olhos. Pela primeira vez, não pensou numa fórmula. Pensou num homem. E sorriu.



