Tight Pink Hole – Chris Damned and Max Lorde

Chris Damned não era do tipo que marcava encontros às cegas. Mas um amigo insistiu tanto que ele cedeu — só uma vez, para calar a boca dele. O nome do cara era Max Lorde, e a única coisa que Chris sabia era que ele trabalhava com fotografia.
Chegou ao café vinte minutos antes, nervoso sem motivo. Quando Max entrou, Chris entendeu por que o amigo tinha insistido tanto.
Max era alto, tranquilo, com um jeito de quem observa tudo antes de falar. Sentou-se, pediu um café e sorriu.
— Você chegou cedo.
— Você chegou na hora certa — respondeu Chris, e os dois riram.
Conversaram por três horas sem perceber o tempo passar. Sobre viagens, sobre fotos antigas, sobre o que cada um queria da vida. Max contou que fotografava a cidade de madrugada; Chris disse que trabalhava melhor quando todo mundo dormia.
Descobriram que moravam a três quarteirões um do outro.
Saíram juntos do café. Max caminhou ao lado dele, sem pressa, e na esquina parou.
— Posso te fotografar um dia?
Chris olhou para ele. — Só se for de madrugada.
Max sorriu. — Combinado.
Trocaram números. E naquela mesma noite, Chris recebeu uma mensagem: “Já estou contando as horas.”
Ele respondeu: “Também.”



