John Brachalli, Marco Napoli e Valentino Sistor eram conhecidos na cidade como “Os Três Relógios”. John marcava o início das coisas, Marco o meio, e Valentino o fim.
Um dia, a cidade amanheceu sem tempo. Os ponteiros pararam. Os despertadores não tocaram. As flores não abriram.
John foi o primeiro a agir:
— Vou buscar o começo no nascer do sol.
Partiu e não voltou.
Marco Napoli, paciente, disse:
— O meio está no coração das pessoas. Vou acordá-lo.
Entrou nas casas uma a uma, soprando memórias nos ouvidos dos que dormiam. Acordaram todos, mas o tempo ainda não andava.
Restou Valentino Sistor. O mais velho. Sentou-se no centro da praça, fechou os olhos e sussurrou:
— O fim não é medo. É entrega.
Então o tempo, que estava preso no futuro, desistiu de fugir. Os ponteiros giraram. O meio-dia bateu. E João, Marco e Valentino, cada um de um lado da praça, sorriram — porque haviam descoberto que o tempo só existe quando os três se encontram.




