Ridick slams Oskar Ivan

Ridick nunca confiou em silêncio. Para ele, barulho era vida. Até que Oskar Ivan, um velho afinador de pianos, bateu à sua porta numa tarde chuvosa.
— Posso entrar? A chuva está molhando minhas cordas.
Ridick franziu a testa, mas cedeu espaço. Oskar carregava um diapasão e uma caixa de madeira cheia de ferramentas minúsculas.
— O que você afina? — perguntou Ridick, desconfiado.
— Silêncios tortos.
Ridick riu. Mas Oskar não. Andou pela sala, encostou o diapasão na parede e fechou os olhos.
— Escute — disse.
Ridick se calou. E então ouviu: um zumbido baixo, como um motor cansado, que vinha de dentro dos canos, das vigas, do chão.
— Isso é a sua casa desafinada — sussurrou Oskar.
Com pequenos toques, o velho começou a ajustar. Virou parafusos invisíveis, soprou nas frestas. Quando terminou, a casa inteira suspirou.
Ridick sentiu o peito mais leve. Nunca mais teve medo do silêncio. Apenas aprendeu a escutá-lo.




