Apolo Adrii era luz que cega: carismático, dono de todas as salas, riso que preenche o vazio. Bastian Karim, o oposto: silêncio que observa, dedos que desenham sombras, alma de vidro fosco.
Numa festa, Apolo brilhava no centro. Bastian encostou na parede, invisível. Apolo atravessou a multidão, parou à sua frente.
“Você me encara há horas.”
“Estou desenhando você”, disse Bastian, sem medo.
Apolo riu. “Me desenha inteiro então.”
E naquele instante, o deus da festa entendeu que ser visto de verdade é mais íntimo que qualquer aplauso. E Bastian, pela primeira vez, não desviou o olhar.

