Sancruso era um mestre em disfarces. Felipe Eduardo, um detetive particular metódico que o perseguia há cinco anos.
— Você nunca vai me pegar, Felipe — dizia o bilhete deixado em cada cena do crime.
Felipe revirava arquivos, comparava digitais, analisava padrões. Nada. Sancruso sempre sumia como fumaça.
Certa noite, Felipe entrou em uma cafeteria vazia. O garçom aproximou-se com um café.
— O senhor é Felipe Eduardo? — perguntou, com sotaque estranho.
Felipe ergueu os olhos. — Quem quer saber?
O garçom sorriu, tirou um bigode falso e um óculos escuro. Era Sancruso, cara a cara.
— Cansou de fugir? — perguntou Felipe, sem fazer menção de algemá-lo.
— Cansou de esconder — respondeu Sancruso, sentando-se à mesa. — Quero fazer um trato. Você para de me caçar, e eu te ensino a desaparecer.
Felipe bebeu o café devagar.
— Aceito. Mas só se você me ensinar a aparecer também.
Sancruso riu. Combinaram o primeiro truque: naquela noite, ambos sumiriam da cidade. E ninguém mais os veria juntos.

