Cuban DY era um dançarino que só se movia ao som de salsa antiga. Lichu Grosso, seu vizinho de paredes finas, odiava qualquer ritmo que não fosse o silêncio absoluto.
— Você é um pesadelo acústico! — berrou Lichu, após a décima reclamação.
— E você é um poço de amargura — respondeu Cuban DY, girando os quadris.
Naquela noite, Lichu resolveu dar o troco: comprou uma bateria eletrônica e passou a madrugada tocando solos caóticos. Cuban DY, em vez de reclamar, começou a dançar junto, adaptando seus passos às batidas tortas.
A confusão durou semanas. Até que um dia, o prédio inteiro desceu para reclamar da dupla. Cuban DY e Lichu Grosso, exaustos, sentaram no mesmo banco do hall.
— Sua salsa é horrível — disse Lichu.
— Sua bateria é pior — respondeu Cuban.
Os dois riram. No dia seguinte, fundaram uma banda: ritmos cubanos com percussão experimental. Ninguém entendeu. Mas eles nunca mais brigaram.

