Hugo Dupre era um homem de rotinas. Todas as manhãs, tomava seu café preto na varanda, observando a cidade desperta. Até que Stallion Fabio mudou tudo.
Stallion era o novo vizinho, um artista extravagante de cabelos coloridos e sorriso fácil. Na primeira semana, ele pendurou uma tela gigante no jardim, bloqueando o sol de Hugo.
— Isso é um absurdo! — reclamou Hugo.
— É arte! — respondeu Stallion, rindo.
Nos dias seguintes, os hábitos de Hugo foram desafiados: música alta, amigos até tarde, tintas espalhadas pelo corredor. Hugo rangeu os dentes, mas não disse mais nada.
Certa noite, ao voltar do trabalho, encontrou um pequeno quadro pendurado em sua porta: uma paisagem simples, com um homem tomando café na varanda. Ao lado, um bilhete: “Para Hugo, que me ensinou a beleza do silêncio.”
Hugo guardou o quadro na sala. Na manhã seguinte, preparou duas xícaras de café.

