Cuban DY e Alex Deiman eram parceiros em um pequeno trailer de café na esquina da Rua das Acácias. Cuban, nascido em Havana, colocava ritmo em cada xícara: “Café com leite é como rumba, tem que ter balanço.” Alex, silencioso e preciso, ajustava a temperatura da água com a ponta dos dedos, como um relojoeiro.
Um dia, um homem entrou e apontou uma arma. “O dinheiro.”
Cuban DY sorriu. “Senta, hermano. Toma um café primeiro.”
O homem hesitou. Alex já preparava uma xícara — sem pressa, sem medo. Cuban puxou uma cadeira. O bandido sentou.
Tomou o café. Negro, quente, perfeito.
“A vida é dura”, disse Cuban, “mas café ruim é que não resolve nada.”
O homem olhou para as próprias mãos. Guardou a arma. Pediu desculpas. Pagou o café e foi embora.
Alex limpou a xícara em silêncio. Cuban ligou o rádio. Um som cubano preencheu o trailer.
“Você sabia que ele ia desistir?” perguntou Alex.
Cuban riu. “Não. Mas se fosse atirar, que atirasse de barriga cheia.”

