Carter Collins nunca pediu ajuda. Oliver Marks, porém, oferecia sem esperar resposta.
Certa manhã, Carter apareceu na oficina de Oliver com uma caixa de ferramentas enferrujada.
— Você conserta isso?
Oliver abriu a caixa. Dentro, não havia ferramentas, mas pedaços de um relógio de parede antigo.
— Era do meu avô — murmurou Carter, virando o rosto.
Oliver não perguntou o motivo do disfarce. Apenas sentou-se à bancada e começou a encaixar as engrenagens minúsculas. Carter observou em silêncio, as mãos nos bolsos.
Horas depois, o relógio tiquetaqueou novamente.
— Por que fez isso? — perguntou Carter, a voz falhando.
— Porque às vezes a gente não sabe pedir o que mais precisa — respondeu Oliver, entregando o relógio.
Carter segurou a peça contra o peito. Não disse obrigado. Mas, ao sair, deixou a porta da oficina entreaberta — um convite silencioso que Oliver entendeu perfeitamente.

