Jeff Carvalho não acreditava em finais felizes. Designer gráfico desempregado, ele passava os dias entre currículos enviados e café requentado. Rico Marlon, por outro lado, era dono de uma das maiores agências de publicidade da cidade — fama, dinheiro, um sorriso ensaiado para as câmeras.
O acaso os uniu num aplicativo de relacionamentos. Jeff quase deslizou para a esquerda ao ver a foto de Rico em um iate. “Mais um playboy”, pensou. Mas algo nos olhos do homem o fez hesitar.
Deram match.
O primeiro encontro foi num boteco simples, escolhido por Jeff para testar as intenções de Rico. Para sua surpresa, Rico chegou sem segurança, sem pose, e pediu um pastel com caldo de cana.
“Por que aceitou vir aqui?”, perguntou Jeff, desconfiado.
Rico limpou os óculos. “Porque no seu perfil você disse que queria alguém que enxergasse além da embalagem. Ninguém nunca me pediu isso antes.”
Jeff sentiu o peito aquecer. Naquela noite, entre risadas e confissões, descobriram que ambos colecionavam quadrinhos antigos e tinham medo de escuro. Rico segurou a mão de Jeff sobre a mesa plástica.
“Posso te mostrar quem sou de verdade?”, sussurrou.
Jeff apertou seus dedos. “Pode. Mas só se eu puder fazer o mesmo.”
E assim, sem holofotes nem iates, dois solitários aprenderam que amor não se anuncia — se constrói.

