Jack Aries sempre foi fogo. Dylain Daniels, gelo. No escritório onde dividiam a mesma mesa, as faíscas eram constantes — e não das boas.
— Você é impossível — rosnou Jack, jogando uma caneta sobre os papéis de Dylain.
— E você é barulhento demais — respondeu Dylain, sem levantar os olhos.
Foi numa sexta-feira, depois do expediente, que o destino resolveu pregar uma peça. O elevador parou. Eles ficaram presos. Sozinhos.
O silêncio foi ensurdecedor.
— Quantas horas até alguém nos achar? — perguntou Dylain, a voz trêmula.
Jack suspirou, sentando-se no chão.
— Não sei. Mas se vamos morrer aqui, pelo menos vamos nos conhecer de verdade.
E então, pela primeira vez, Dylain sorriu. Um sorriso pequeno, frágil, que quebrou o gelo.
Jack contou piadas ruins. Dylain riu com vontade. Falaram sobre medos, sonhos, solidão. Quando as portas se abriram, quatro horas depois, algo havia mudado.
— E agora? — perguntou Dylain, hesitante.
Jack estendeu a mão.
— Agora eu te levo pra tomar um café. E você me ensina a gostar de silêncio.
Dylain segurou sua mão.
— Combinado.
E do caos do desencontro, nasceu o encontro mais bonito que nenhum dos dois esperava.

