Eddie Burke era tempestade. Adam Lee, calmaria. Era impossível, pensavam todos, que dois opostos tão extremos pudessem se encaixar.
Até a noite em que Adam encontrou Eddie sentado sozinho no terraço do apartamento, olhando a cidade lá embaixo.
— Vai chover — disse Adam, sentando ao seu lado.
— Eu gosto da chuva — respondeu Eddie, sem tirar os olhos do horizonte. — Ela lava as coisas ruins.
Adam hesitou, então tocou de leve a mão de Eddie.
— Você não precisa carregar o mundo sozinho, sabia?
Eddie finalmente virou o rosto. Seus olhos estavam cansados, mas algo neles brilhou ao encontrar o olhar calmo de Adam.
— Por que você se importa?
— Porque você faz meu mundo menos cinza — confessou Adam, com a voz quase um sussurro. — E talvez eu queira fazer o seu menos pesado.
A primeira gota de chuva caiu. Eddie, lentamente, entrelaçou os dedos nos de Adam.
— Acho que estou cansado de ser tempestade sozinho.
Adam sorriu, apertando sua mão.
— Então deixa eu ser sua calmaria.
E ali, debaixo da chuva que finalmente lavava a solidão de Eddie Burke, os dois opostos descobriram que, às vezes, se completar é a maior das coincidências.

