Shane Thomas odiava o silêncio. Adrian Hart, por outro lado, vivia mergulhado nele. Enquanto Shane preenchia os dias com música alta e risadas soltas, Adrian se refugiava em bibliotecas vazias e cafés de luz fraca.
Por isso, foi um choque quando Adrian apareceu na festa. Shane o viu no canto, encostado na parede, olhando o chão como se quisesse desaparecer.
— Ei — Shane se aproximou, desligando o fone. — O que um cara quieto como você faz aqui?
Adrian ergueu os olhos, surpreso.
— Minha amiga me arrastou. Já estou arrependido.
Shane riu, mas não foi uma risada debochada. Foi uma risada quente, que fez Adrian levantar a cabeça.
— Então vamos para um lugar mais quieto.
Adrian hesitou. Nunca ninguém havia feito esse convite. Na sacada, longe do barulho, o mundo pareceu mais leve.
— Você não é tão barulhento quanto parece — murmurou Adrian.
— E você não é tão invisível quanto pensa.
Adrian sorriu — um sorriso pequeno, mas verdadeiro. E quando Shane entrelaçou seus dedos nos dele, o silêncio finalmente deixou de ser solidão.

