Romeu Twink e Benjamin Hilton se odiavam à primeira vista. Romeu era a luz que explodia em cores, Benjamin a sombra que vivia em tons de cinza. Seus olhares se cruzavam na biblioteca da universidade como facas.
Até que uma tempestade os prendeu na sala de arquivos mortos.
— Detesto seu otimismo — murmurou Benjamin, afastando um fio de cabelo do rosto.
Romeu sorriu, desafiador.
— E eu adoro seu sarcasmo.
O silêncio os envolveu. Benjamin, trêmulo de frio, sentiu o peso de um casaco sobre os ombros. O cheiro de canela e baunilha de Romeu o envolveu.
— Por que é gentil comigo? — sussurrou.
— Porque por trás dessa armadura, você só quer ser visto.
Benjamin encostou a testa no ombro de Romeu. Pela primeira vez, o mundo não pareceu tão escuro. E quando Romeu tocou seu rosto, Benjamin não desviou.
— Talvez — disse Benjamin, quase sem voz —, você não seja tão insuportável.
— Talvez você não seja tão gelado.
O beijo que veio depois não foi uma declaração de guerra, mas a rendição mais doce que ambos jamais imaginaram entregar.

