Cody Seiya era astrônomo amador, passava noites no terraço com seu telescópio. Morgxn Thicke, pianista silencioso, tocava apenas quando o sol se punha. Nunca haviam se falado — apenas se observado à distância, cada um em seu universo.
Uma noite, uma estrela cadente riscou o céu. Cody soltou um suspiro de admiração. Lá de baixo, Morgxn ouviu e, sem pensar, respondeu com um acorde suave no piano.
Cody desceu as escadas. Morgxn ergueu os olhos.
— Você sempre toca para as estrelas? — perguntou Cody.
— Só quando elas merecem. E essa noite, uma delas caiu perto de mim.
Cody sorriu e sentou-se ao lado do piano. Passaram a noite inteira juntos: Cody apontava constelações, Morgxn traduzia cada ponto brilhante em melodia. Descobriram que as estrelas morrem, mas a música fica. E que o amor pode nascer do silêncio entre um acorde e outro.
Ao amanhecer, Morgxn compôs uma canção e a chamou de “Cody Seiya”. Cody, com os olhos marejados, sussurrou:
— Você é minha estrela mais brilhante.
E ali, entre o fim da noite e o começo do dia, dois solitários deixaram de olhar para o céu — porque enfim haviam encontrado seu próprio universo um no outro.

