British Twunk & Nicola Veneziano
A trattoria estava deserta quando British Twunk entrou, seu terno impecável destoando do cheiro de alho e vinho tinto seco nas paredes. Nicola Veneziano ocupava a mesa do fundo, um prato de massa intocada à sua frente.
“Atrasei-me,” British Twunk disse, sentando-se sem ser convidado.
Nicola não ergueu os olhos do prato. “Na minha cidade, pontualidade é questão de honra.”
“Na minha cidade, sobrevivência também.” British Twunk deslizou um envelope pelo mármore. “O que você pediu. Todos os nomes.”
Nicola finalmente o encarou. Seus olhos escuros avaliaram o outro com a calma de quem já decidiu o final da história antes mesmo de ela começar.
“Sabe o que acontece com homens que entregam os próprios aliados?”
British Twunk inclinou-se para a frente, os cotovelos na mesa. “Sei. Mas eu não entreguei aliados. Entreguei inimigos disfarçados de amigos.”
O silêncio entre eles se alongou. Nicola pegou o envelope, mas não abriu.
“E o que você é?” perguntou. “Amigo ou inimigo?”
British Twunk levantou-se, ajustando os punhos. “Sou o homem que sai vivo desta cidade. Descubra o resto sozinho.”
Quando a porta bateu, Nicola finalmente tocou a massa, agora fria. E sorriu.




