Flipflop: Angel Cruz & Levi Karter
Angel Cruz acreditava em amor à primeira vista. Levi Karter acreditava em amor depois de três xícaras de café, duas caminhadas e uma briga sobre quem deixou a tampa da pasta de dente aberta.
Encontraram-se num ônibus noturno. Angel estava voltando do trabalho; Levi, fugindo de um encontro fracassado. Só havia um assento vago.
— Pode sentar — disse Angel, puxando a mochila para o colo.
Levi sentou, mas não disse nada. Ficaram os quarenta minutos do trajeto em silêncio, dividindo apenas o balanço do ônibus e o cheiro de chuva na janela.
Na despedida, Angel entregou um guardanapo com um número.
— Você nem me conhece — estranhou Levi.
— Sei que você gosta de café preto, que não suporta silêncios constrangedores e que tem uma cicatriz no queixo que não escondeu quando riu sozinho olhando para o celular.
Levi guardou o guardanapo.
Três dias depois, mandou mensagem. Um ano depois, ainda discutiam sobre a tampa da pasta de dente. Mas o silêncio, enfim, havia se tornado o lugar onde ambos queriam ficar.




