Ruggery Valdivia and Curvedking
A academia estava deserta quando Ruggery Valdivia encontrou um caderno esquecido no banco de supino. Dentro, não havia séries ou cargas, apenas desenhos a lápis — corpos em movimento, músculos como paisagens, e em todas as páginas, um mesmo rosto: o dele.
“Você deveria ter me dito,” Ruggery murmurou, encontrando Curvedking enrolando as mãos no canto.
O artista, pego em flagrante, corou sob a pele morena. “Não sabia como. Você é… intimidador.”
“E você é o único que me olhou como se eu não fosse apenas força bruta.”
Curvedking riu, nervoso. “Te transformei em arte. É o que eu faço.”
Ruggery aproximou-se, tomando as mãos calejadas de desenhar entre as suas. “Então me mostre como me vê. Não no papel.”
No pequeno apartamento de Curvedking, entre cavaletes e potes de pincéis, Ruggery posou pela primeira vez. Mas o verdadeiro retrato não surgiu no papel — surgiu no jeito como Curvedking o tocou, como se cada centímetro de pele merecesse ser memorizado.
E quando amanheceu, Ruggery descobriu que não queria mais ser apenas admirado. Queria, enfim, ser conhecido.




