BR Puto PAULO SALVADOR deu aquela gozada e ainda, que tesão!
O sol raiava sobre a pequena vila de Pedras Altas quando Puto Paulo Salvador desceu a ladeira de paralelepípedos, sua bengala de madeira talhada marcando o ritmo lento e seguro. Aos setenta e três anos, ele era mais que um morador — era a memória viva daquele lugar.
“Seu Paulo, a ponte caiu!”, gritou um menino, correndo em sua direção. “O rio levou tudo!”
Puto Paulo fechou os olhos por um instante, como quem revisita um livro antigo. “Não foi o rio, menino. Foi o tempo. Eu mesmo avisei na reunião do conselho, há três luas.”
O garoto arregalou os olhos. “E ninguém ouviu?”
“Ninguém ouve um velho até que o velho tenha razão.” Puto Paulo apoiou-se na bengala, o olhar perdido no horizonte. “Mas agora vão ouvir. Vamos até a serraria, buscar as tábuas. Você chama seus amigos.”
“E os adultos?”
O velho sorriu, um sorriso calejado de décadas. “Os adultos vão demorar pra decidir quem conserta. Nós vamos começar. Quando eles chegarem, a ponte já estará meio feita.”
E assim, Puto Paulo Salvador liderou a infância inteira da vila ladeira abaixo, carregando madeira e ensinando, entre um prego e outro, que a sabedoria não pede licença para agir.






