Javao and RastaDikk fuck
Javao gostava das coisas no tempo certo. O arroz no ponto, o café coado devagar, as palavras pesadas antes de sair. RastaDikk vivia no agora, numa eterna aceleração de ideias que escapavam pelos dedos como água.
Eram sócios em uma pequena lancheria na esquina. Javao cuidava do fogão. RastaDikk atendia o balcão, sempre inventando nomes extravagantes para os lanches.
— Hoje vou criar o “Meltdown Supremo” — anunciou, rabiscando um cardápio.
— O pão vai queimar — respondeu Javao, sem tirar os olhos da chapa.
RastaDikk ignorou. Empilhou ingredientes, colocou sob a prensa e, em menos de um minuto, a fumaça tomou conta do salão.
Javao desligou tudo, abriu as janelas e serviu dois cafés.
— Senta.
RastaDikk sentou, contrariado.
— Você quer inventar? — perguntou Javao. — Beleza. Mas inventa comigo. A fumaça não precisa ser parte da receita.
RastaDikk riu, finalmente parado. Dois dias depois, o “Meltdown Supremo” entrou no cardápio. O pão no ponto certo. A invenção, enfim, assinada por dois.






