Tiago Santana, Logan Vera

Logan Vera chegou à obra numa pick-up barulhenta, poeira a levantar, óculos escuros mesmo com o céu nublado. Desceu com uma pasta na mão, ar de quem não está ali para sujar as botas.
– Procuro Tiago Santana – disse, seco.
Apontaram para o telhado. Lá em cima, Tiago ajustava telhas com a calma de quem não tem pressa.
– Desce aí, tenho negócio pra ti.
Tiago desceu devagar. Encarou o homem.
– Negócio?
Logan abriu a pasta. Papéis, fotografias, mapas.
– Este terreno. O dono quer vender. Disseram que tu conheces cada palmo daqui. Preciso de informações. Pagamento bom.
Tiago olhou para os papéis. Conhecia aquele lugar. Infância, pescarias, a primeira casa que ajudou a construir.
– O dono é o Seu Zé, aquele velho que mora sozinho?
– Esse mesmo. Assinou ontem. Vendeu.
Tiago devolveu a pasta. Limpou as mãos no calção.
– Não.
Logan franziu o sobrolho.
– Não? É dinheiro fácil.
– Ali não é terreno. É a vida do homem. Conheço cada árvore que ele plantou. Cada prego que bateu.
Logan Vera riu, incrédulo.
– És parvo ou o quê?
Tiago encarou-o. O olhar parado, firme.
– Sou pedreiro. Construo casas. Não destruo vidas.
Virou costas. Voltou para o telhado.
Logan ficou com a pasta na mão, o motor da pick-up a funcionar. Nunca ninguém lhe dissera não.
Nunca esqueceria aquele dia. Nem o homem que preferiu a telha quente ao dinheiro fácil.






