Erick Dotsp22 X Tiago Santana
Erick Dotsp22 apareceu na obra numa terça-feira, mochila nas costas, olhos curiosos.
– Procuro o Tiago Santana – disse.
Os pedreiros apontaram. Lá em cima, no terceiro andar, Tiago assentava tijolos com a precisão de quem conhece o peso das coisas.
– Quem é? – Tiago desceu, desconfiado.
Erick estendeu a mão.
– Sou teu filho.
O silêncio caiu como um andaime. Tiago limpou as mãos no calção, devagar.
– A tua mãe… – começou.
– Morreu. Há dois meses. Pediu para te entregar isto.
Erick abriu a mochila. Tirou uma carta, um boneco de palito desenhado há vinte anos, uma fotografia dele próprio aos três anos ao colo de Tiago.
Tiago segurou a fotografia. As mãos tremiam.
– Eu não sabia – murmurou. – Ela foi embora, eu procurei…
– Ela sabia. Disse que eras bom homem. Que os tijolos que assentavas eram mais firmes que a saudade.
Tiago olhou para o rapaz. Mesmo nariz. Mesmo queixo. Mesmo jeito de olhar de lado.
– Ficas para o almoço? – perguntou, a voz presa na garganta.
Erick sorriu.
– Fico para a vida, se quiseres.
No fim da tarde, os dois sentaram-se nas vigas do terceiro andar. O sol punha-se. A cidade acendia-se.
Erick Dotsp22 apontou para baixo.
– Um dia ainda vou construir uma casa ali.
Tiago passou o braço pelos ombros do filho.
– Então vamos precisar de mais tijolos.






