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Klein Kerr & Bastian Karim

Klein Kerr encontrou Bastian Karim na estação de comboios, ambos à espera do mesmo atraso.

– Já viste? – Klein apontou o letreiro. – Trinta e cinco minutos.

Bastian encolheu os ombros. Abriu a mala, tirou o acordeão. Klein revirou os olhos.

– Vais tocar mesmo aqui?

Bastian começou a tocar. Era uma melodia lenta, que falava de despedidas e recomeços. Klein Kerr, que era engenheiro e gostava de horários cumpridos, sentou-se. Os olhos fixaram-se num ponto vago.

– Conheço esta música – murmurou.

– Toda a gente conhece – respondeu Bastian. – Só não sabem ainda.

Klein ouviu até ao fim. Quando o comboio apitou ao longe, levantou-se. Tirou do bolso um papel, escreveu qualquer coisa.

– Toco amanhã – disse Bastian. – Mesma hora, mesmo banco.

Klein guardou o papel. Entrou no comboio. Só quando as portas fecharam percebeu que o papel tinha um número. E uma palavra: “Obrigado”.

Na semana seguinte, voltou. Bastian estava lá. Tocado. Desta vez, Klein não se sentou. Ficou de pé, ao lado do banco.

– Sabes – disse –, nunca tinha parado para ouvir nada.

Bastian sorriu. Continuou a tocar.

Klein Kerr ficou. Trinta e cinco minutos. Depois, mais trinta e cinco. No dia seguinte, trouxe café.

E descobriu que alguns atrasos valem a pena.

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