Liam Harding limpou os óculos pela terceira vez. Não era possível. Ali, no meio da biblioteca da universidade, enterrado num tratado de navegação do século XV, estava um desenho a lápis: um dragão com um capacete viking de chifres.
— Encontraste o meu marcador — uma voz grossa fez-o saltar.
Um gigante de barba ruiva e tranças olhava para ele.
— Kosta… Viking? — Liam leu o nome na credencial pendurada no peito do homem.
— O meu avô achava graça. — Kosta sorriu, revelando um dente de ouro. — Pensava que ia ser pescador, como ele. Mas eu gosto mais de barcos de papel.
Liam olhou para o dragão.
— É um barco?
— Claro. O *Serpente do Mar*. Desenho-o desde os oito anos.
Liam, um estudante de engenharia obcecado por eficiência, olhou para as linhas irregulares.
— A proa está mal calculada. A resistência da água…
Kosta riu, um som que ecoou entre as estantes.
— Amanhã, às sete, no lago. Mostro-te o *Serpente* a navegar. E tu ensinas-me essa tal resistência.
Liam sorriu, timidamente. Talvez o mundo não fosse feito apenas de números. Talvez coubesse também um dragão.

