Alexandro Cabrera pounds Magnus Loki
A biblioteca municipal cheirava a mofo e silêncio. Alexandro Cabrera passou o dedo na lombada dos livros, procurando a seção de mitologia nórdica.
— Vieram todos atrás do mesmo — resmungou a bibliotecária, sem levantar os olhos dos óculos.
Alexandro não respondeu. Encontrou o volume que procurava: “Deuses e Heróis do Norte”. Abriu no meio e lá estava, dobrada, a página sobre Loki.
— Sabia que você viria.
A voz veio das sombras do corredor. Alexandro virou-se devagar. Atrás da estante, um homem magro, de cabelo comprido e olhos claros demais, apoiava o ombro na parede.
— Magnus — Alexandro sussurrou.
— Meu nome verdadeiro. Não esse apelido de escritor medíocre.
Magnus Loki deu um passo à frente. A luz fraca da biblioteca pareceu recuar.
— Você escreveu sobre mim. Sobre o que fiz. Sobre o que escondi.
Alexandro segurou o livro contra o peito.
— Escrevi a verdade.
Magnus sorriu, um sorriso sem dentes, só lábios.
— A verdade não se escreve, Cabrera. Ela se vive. E você viveu pouco para saber dela.
Desfez-se na poeira que dançava no feixe de luz. Alexandro ficou parado, o coração batendo na garganta. Na página dobrada, uma anotação a lápis: “Ele nunca esteve preso. Apenas esperando.”




