BR PIERRE CEP, macho casado sentando no dildo gostoso
A lâmpada do abajur tremia, décima segunda vez naquela noite. Pierre Cep suspirou, largou a caneta sobre o manuscrito e foi até o quadro de luz.
— A fiação desse prédio é uma piada — murmurou, ligando para o zelador.
— Já vai, seu Pierre. É só pular o disjuntor geral.
No corredor, o cheiro de cigarro barato vindo do apartamento 42. Dona Jurema devia estar na janela, como todas as noites, espiando a rua. Pierre passou rente à parede para não ser visto.
No quadro de luz, o disjuntor teimava em não subir. Ele forçou. Nada. Forçou mais. O disjuntor cedeu, mas um estalo seco veio antes — e a escuridão total.
— Ah, não…
A voz do zelador ecoou do andar de baixo:
— Seu Pierre! O prédio inteiro apagou!
Pierre Cep encostou a testa na parede. Ficou ali, no escuro, ouvindo Dona Jurema reclamar da Light, do governo, da vida. Suspirou de novo.
Faltavam três páginas para terminar o conto. Três páginas. E agora, só no vela.




