Lucas Marsolo fucks Fer Smith

A garoa fina grudava as folhas de outono no asfalto. Lucas Marsolo encostou o carro na vaga em frente ao bar, os faróis cortando a penumbra do fim de tarde. Desligou o motor e ficou ali, dedos tamborilando no volante.
Fer Smith já estava na mesa do fundo, como sempre. Copo de whisky pela metade, olhos fixos na televisão sem som. Lucas sentou-se à sua frente sem cumprimento.
— Três dias — disse Fer, sem desviar o olhar da tela. — Você demorou três dias.
— Tive que pensar.
— Pensar não resolve isso.
Lucas puxou um envelope do bolso interno do casaco e deslizou sobre a mesa. Fer nem olhou.
— Quanto?
— O bastante.
Fer finalmente encarou o amigo. Os olhos cansados, a barba por fazer, a mesma camisa de dias atrás. Conhecia Lucas há vinte anos. Sabia quando ele estava mentindo.
— O que mais você não está me contando?
Lucas levantou-se, jogou algumas notas sobre a mesa para pagar o café que não pediu.
— Vai para casa, Fer. Esquece que me viu.
A porta do bar bateu. A garoa continuava lá fora, e Fer Smith ficou ali, sozinho, com um envelope que pesava mais do que dinheiro.




