MICHAEL BOSTON breeds LAWSON JAMES

Michael Boston abriu a janela do apartamento no quinto andar, deixando o ruído da cidade de Boston entrar. Do lado de fora, a chuva fina pintava as ruas de cinza. Ele ajustou os óculos, observando o fluxo de carros como se buscasse algo — ou alguém — perdido naquele turbilhão.
Dois quarteirões abaixo, sob a marquise de um café, Lawson James esperava. Seu sobretudo preto estava escuro pela umidade, as mãos firmes nos bolsos. Não tinha pressa. A espera era parte do ritual. Ele sabia que Boston estava lá em cima, observando. Sabia também que, em breve, desceria.
Quando Michael finalmente apareceu na esquina, os olhos dos dois se encontraram através do véu da chuva. Nenhum sorriso, apenas um leve aceno. Lawson ergueu uma pequena pasta de couro desgastado.
— Está tudo aqui? — perguntou Michael, ao alcançá-lo.
— Tudo. Nomes, datas, lugares. Como combinado.
Houve uma pausa. O som da chuva preenchendo o silêncio.
— E agora? — indagou Michael, segurando a pasta como se pesasse uma vida inteira.
Lawson James virou-se, começando a se afastar.
— Agora, você escolhe. Lembre-se: alguns fantasmas nos perseguem. Outros, somos nós que os carregamos.
E sumiu na névoa da tarde, deixando Michael Boston parado na calçada, com a verdade finalmente em suas mãos.




