Daniel Evans & Eric Rey: Hot Duo

A primeira vez que **Daniel Evans** entrou no clube de jazz “The Hidden Note”, soube que havia algo errado com o pianista. Não com sua técnica, que era impecável, mas com sua **presença**. **Eric Rey** tocava como se estivesse ausente, seus olhos vidrados em um ponto além da sala.
Daniel, um arqueólogo de memórias digitais, reconheceu os sinais: Eric estava preso em um *loop* neural, um eco traumático de um acidente antigo que apagou sua memória recente. Ele só se lembrava de tocar.
Movido por uma empatia súbita, Daniel usou seu equipamento portátil de mapeamento cognitivo, não para extrair, mas para **inserir**. Durante o solo de Eric, Daniel sincronizou um fluxo de dados no sistema de som do clube—não eram sons, mas **impressões**: o cheiro da chuva no asfalto quente, o sabor do primeiro café da manhã, o rosto sorridente de uma mulher que o esperava após cada show.
Eric continuou tocando, mas suas mãos vacilaram por um segundo. Um tremor percorreu seu corpo. Quando a música terminou, em vez do silêncio habitual, ele olhou para as mãos, depois para Daniel na mesa escura.
“Essa música…”, Eric sussurrou no microfone, sua voz áspera de desuso. “Eu me lembro.”
Ele não lembrava de tudo. Mas lembrava de **começar**. E, naquela noite, Daniel Evans lhe dera a nota inicial.



