
**Cristiano e Rhyheim Shabazz**
No caos do metrô nova-iorquino, seus mundos colidiram. Literalmente. Os livros de Cristiano voaram pelo chão molhado. “Desculpe!”, disseram ao mesmo tempo, e um sorriso tímido nasceu.
Rhyheim Shabazz, com seus olhos sábios e um nome que era poesia, ajudou a recolher as páginas. Encontraram-se, toda quinta, no mesmo vagão. Cristiano, o padeiro português, trazia pães doces ainda quentes. Rhyheim, o estudante de filosofia, trazia ideias e sonhos.
As conversas, antes breves, esticaram-se em passeios no Central Park. Aprenderam que o amor não precisava de grandiosidade, mas de constância. Do jeito certo de segurar as mãos. Da coragem de Rhyheim dizer seu nome por inteiro, e de Cristiano repeti-lo como uma prece.
Um ano depois, naquela mesma estação, Cristiano entregou a Rhyheim não um livro, mas um pão doce. Dentro, um anel simples. “É para durar”, sussurrou, “como o seu nome, e o que sinto por você.”
E sob a luz fraca do trem, Rhyheim sorriu, aceitando o pão, o anel e o futuro.




