Eluan Jeunet, Hoyt Kogan, Pierre Cezanne – a euro threesome
Eluan Jeunet, florista, e Hoyt Kogan, padeiro, dividiam o mesmo beco. Entre eles, ficava a galeria vazia de Pierre Cezanne, o pintor recluso que ninguém via, apenas sentia, através da música clássica que vazava de sua porta.
Eluan deixava jasmim na soleira de Hoyt. Hoyt deixava um pãozinho quente na vitrine de Eluan. E, por um ano, trocaram presentes e olhares tímidos, sem uma palavra, separados por dez metros de calçada e por uma timidez intransponível.
Até que uma manhã, encontraram uma tela encostada entre suas portas. Nela, Pierre tinha pintado os dois: Eluan com seus jasmins, Hoyt com seu pão, mas num único quadro, suas mãos se tocando sobre a mesa de um café que não existia. Era um convite, uma confissão e uma benção.
Com o coração batendo forte, Eluan pegou um jasmim. Hoyt pegou um pão. Juntos, bateram à porta da galeria. A música parou. A porta entreabriu, revelando apenas um sorriso nos olhos cansados de Pierre.
Naquela tarde, os três tomaram café na mesa pintada, que agora ganhava vida. E Pierre, finalmente, tinha sujeitos reais para sua próxima e maior obra-prima: a do amor que ele mesmo ajudou a florescer.




