Andy Rodrigues & Jonatas Santos

O encontro aconteceu no metrô, na linha que Andy Rodrigues odiava e que Jonatas Santos amava por seu trajeto sinuoso. Andy, cabeça baixa nos fones, não viu o trem frear bruscamente. Foi Jonatas quem o segurou pelo braço, evitando a queda.
“Tenso, né?”, disse Jonatas, com um sorriso que fez Andy esquecer o constrangimento.
Era opostos que se completavam: Andy, analista de sistemas, encontrava lógica em tudo. Jonatas, florista, via beleza no caos das pétalas.
Andy começou a pegar o metrô mais tarde, só para coincidir com o horário de Jonatas. Jonatas passou a levar um único cravo branco toda sexta-feira, “para alegrar a segunda-feira de alguém especial”, dizia, entregando-o a Andy com um sorriso.
Numa sexta-feira qualquer, com o trem lotado e o cravo cuidadosamente protegido entre eles, Andy olhou para Jonatas e disse, baixinho, no ritmo do balanço dos vagões: “Acho que encontrei a única linha de código que não precisa de lógica. É só sentir.”
Jonatas apertou sua mão, e o cravo branco, espremido entre seus dedos, soltou uma fragrância doce no ar abafado. No trajeto mais previsível da cidade, haviam encontrado, juntos, uma rota inteiramente nova.




