Tiago Santana rides Michael Lucas

No calor abafado de uma favela carioca, dois mundos colidiram no mesmo beco. **Tiago Santana**, jovem do morro com olhos de quem já viu demais, encostava-se à parede, observando. **Michael Lucas**, turista americano perdido e sudando sob um blusão deslocado, buscava desesperadamente o caminho do hostel.
“Perdeu o bonde, irmão?”, perguntou Tiago, voz neutra.
Michael, em português quebrado, tentou explicar. Em vez de ver uma vítima, Tiago viu a chance. Não de tirar, mas de mostrar.
“Vem comigo. Te ensino o caminho. Mas bota esse celular no bolso, cara.”
Enquanto subiam as escadas estreitas, Tiago virou guia. “Aqui é o bar da Dona Maria, o suco é bom. Ali, cuidado com o buraco. Essa vista… é a melhor da cidade.”
Michael, inicialmente tenso, relaxou. No topo, o pôr-do-sol banhava o Rio em ouro. Tiago apontou para o Cristo ao longe. “Seu hostel é lá embaixo, à direita. Agora você sabe andar.”
Michael ofereceu dinheiro. Tiago recusou com um aceno de cabeça. “Só não me chama de guia, tá? Meu nome é Tiago.”
E enquanto Michael sumia descendo, Tiago ficou na muralha, rei por um instante não do morro, mas de uma pequena, frágil ponte que ele próprio construíra.




