Chase Parker (Chasexparkerr) fucks Its_vitor_her

**Chase Parker** era uma obra de arte em movimento. Nas redes, sob o nome **@chasexparkerr**, ele era sinônimo de verão eterno. Seu feed era um festival de cores: imagens de praias imaculadas, roupas de banho ousadas, mergulhos em piscinas infinitas e um sorriso que prometia diversão sem consequências. Ele era um *influencer* de estilo de vida, mas seu verdadeiro produto era a fuga. Ele construía paraísos de areia e filtros, vivendo um verão perpétuo que escondia o inverno dentro de si — a pressão por engajamento, o medo de se tornar irrelevante, a solidão de ser amado por milhões, mas conhecido por ninguém.
**Vitor (Its_vitor_her)** era o contrário da superfície. Oceanógrafo em início de carreira, seu mundo era o que ficava abaixo da linha d’água. Seu perfil era um mosaico de gráficos de correntes marítimas, fotos subaquáticas de criaturas estranhas e belas, e textos longos e apaixonados sobre a saúde dos oceanos. Seu nome de usuário, um trocadilho com “its vitor here” (é o Vitor aqui), era uma declaração de propósito discreta. Ele não vendia sonhos; ele mostrava realidades complexas e urgentes. Enquanto Chase corria para capturar o pôr do sol, Vitor media a acidez da água naquele mesmo lugar.
O algoritmo, em um raro momento de poesia, os colocou lado a lado. Vitor fez um comentário técnico, porém fascinado, em um vídeo de Chase mergulhando em um recife. “Cuidado com o coral-de-fogo à sua esquerda. Lindo, mas a queimadura dura semanas.” Chase, intrigado por alguém que não pedia dicas de filtro, respondeu. Começou uma conversa que migrou para as mensagens diretas. Era um diálogo entre dois idiomas: o da superfície e o das profundezas.
Chase, cujo nome real era Gabriel, achava Vitor exasperantemente sério e incrivelmente inteligente. Vitor achava Chase superficialmente frívolo, mas notou uma curiosidade genuína por trás das poses. Quando Chase postou uma foto em uma praia repleta de lixo plástico disfarçada por um ângulo amplo, Vitor mandou uma mensagem privada: “Você sabe que está pisando em uma trincheira de microplásticos, né?” Em vez de se ofender, Chase perguntou: “Me ensina?”
Vitor começou, então, a ser seu tutor secreto em tudo relacionado ao mar. Enquanto Chase postava vídeos de ondas, Vitor lhe explicava a formação daquela arrebentação. Quando Chase posava com um peixe, Vitor lhe contava sobre os hábitos migratórios da espécie. Gabriel, pela primeira vez, começou a ver o oceano não como um pano de fundo, mas como um personagem. E Vitor começou a ver a luz do sol refletida na água com um novo encanto, através dos olhos de alguém que a celebrava.
O amor nasceu nas madrugadas, em chamadas de vídeo. Gabriel, exausto após um dia de produção de conteúdo, mostrava a Vitor a vista noturna de seu apartamento. Vitor, em seu humilde escritório no instituto, mostravia imagens de satélite de fitoplâncton bioluminescente. Eles eram o dia e a noite, o raso e o profundo. Gabriel fez Vitor rir com histórias de *bloopers* de gravação. Vitor fez Gabriel parar e pensar sobre o legado que suas imagens deixariam.
O conflito era inevitável. A marca de um refrigerante famosa patrocinou uma mega-festa na praia com Chase como anfitrião. O evento geraria toneladas de lixo, usaria energia poluente e perturbaria um local de nidificação de tartarugas que Vitor monitorava silenciosamente. Quando Vitor soube, sentiu-se traído.
— “É só uma festa, Vitor! Vai gerar um engajamento enorme,” disse Gabriel, tentando justificar.
— “É só o habitat de espécies ameaçadas, Gabriel! Vai gerar um dano enorme,” Vitor retrucou, a voz fria de decepção. “Você vê água salgada. Eu vejo um ecossistema. Acho que falamos línguas diferentes, no fim.”
Ele cortou o contato. Gabriel foi à festa. As luzes eram brilhantes, a música alta, mas tudo soava vazio. Ele olhava para o mar escuro e não via mais beleza; via o desapontamento nos olhos castanhos de Vitor. No meio da multidão dançante, ele nunca se sentiu tão sozinho.
No auge da festa, ele fez algo impulsivo. Pegou o microfone.
— “Pessoal! Atenção!” Todos olharam para o influencer dourado. “Antes do próximo set, um aviso rápido. A praia é linda, né? Mas ela é viva. Ali atrás, naquelas dunas, tem tartarugas bebês tentando chegar ao mar. Então, por favor, não deixem lixo para trás. Nada de plástico. Nada. E… o cara que me ensinou isso tá puto comigo agora. Mas ele tá certo.”
A declaração, estranha e sincera, ecoou. Alguns riram, outros ficaram confusos. Para Gabriel, não importou. Ele desceu do palco, tirou a camisa brilhante da marca e foi para a beira da água. Sentou na areia, longe da festa, e mandou uma mensagem para Vitor. Não uma justificativa, mas uma coordenada do GPS e uma foto dos seus pés na areia, com a maré subindo.
— “Tô na trincheira de microplásticos. Sozinho. Me ensina a consertar isso?”
Vitor não respondeu. Mas vinte minutos depois, uma figura magra e séria surgiu da escuridão, além do alcance das luzes da festa. Vitor sentou-se ao lado dele, em silêncio, observando o mar.
— “A maré está subindo,” disse Vitor, finalmente.
— “Eu sei,” respondeu Gabriel. “Você me ensinou a ler ela.”
— “Você estragou a festa da sua marca.”
— “E você salvou as tartarugas. Acho que estamos quites.”
Vitor olhou para ele, e pela primeira vez, Gabriel viu um sorriso pequeno, real, iluminado apenas pela Lua.
— “Não estamos quites. Você tem muito que aprender ainda, *influencer*.”
E naquela noite, sob as estrelas e longe dos holofotes, **Chasexparkerr** aprendeu que a beleza mais profunda não está na superfície perfeita, mas nas marés complexas e nos corais resilientes que sobrevivem abaixo. E **Its_vitor_her** descobriu que às vezes, para salvar o oceano, você precisa de alguém que saiba como fazer as pessoas olharem para ele. Juntos, eles não eram mais o raso e o profundo. Eram a costa, o lugar onde tudo se encontra, se transforma e, finalmente, faz sentido.




