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Dean Michaelz and The LV fuck

O metrô de Nova Iorque era a catedral noturna de Dean Michaelz. Todas as noites, entre a última e a primeira viagem, ele montava seu pequeno piano eletrônico na estação da 42nd Street, deixando Chopin e Gershwin fluírem pelo túnel iluminado, tentando embelezar o cansaço dos rostos que passavam. A música era sua única linguagem verdadeira, um escudo contra o silêncio que carregava dentro de si.

The LV era um som. Um ritmo. Um batimento cardíaco de concreto. Seu “nome” era apenas um spray na parede, uma assinatura que corria os vagões e becos da cidade. The LV era o fantasma mais famoso do underground, um artista de grafite cuja identidade ninguém conhecia, cujas obras – pássaros mecânicos com asas de circuito e olhos de lâmpada queimada – apareciam como sonhos sobre a cidade cinza. Ele não falava; ele riscava, pintava, existia.

Seus mundos se cruzaram por acaso, mas o choque foi proposital. Dean estava tocando uma valsa triste, perdido em suas notas, quando viu, do canto do olho, uma figura encapuzada deslizar pela parede oposta da estação. Em minutos, sob a luz amarelada, surgiu um rouxinol de aço, magnífico e melancólico, voando diretamente em direção à sombra de um prédio pintada ao lado do próprio Dean. A assinatura “LV” brilhava, em tinta prateada, ao lado de sua mochila.

Fascinado e irado pela ousadia, Dean não chamou a segurança. Em vez disso, na noite seguinte, colocou uma folha de papel pautado, como uma partitura em branco, ao lado do piano, com um lápis. Um convite mudo.

Na terceira noite, o papel não estava mais em branco. The LV havia desenhado sobre as pautas: não notas musicais, mas os fios de um circuito, que se entrelaçavam com a clave de sol de forma orgânica, violenta e bela. No rodapé, uma única palavra: **”Tocável?”**.

Foi o início de um diálogo impossível. Dean respondia com música. Compôs uma peça curta, ácida e eletrizante, que chamou de “LV’s Riff”, e a tocou todas as noites. The LV respondia com arte. Pintou, na coluna ao lado do piano, um piano decadente com teclas que se transformavam em escadas de incêndio, subindo para um céu cheio de seus pássaros mecânicos. A assinatura agora incluía um pequeno trecho da partitura de Dean.

Eles nunca se viram claramente. The LV era uma sombra que surgia quando a estação ficava vazia por um minuto. Dean era um som que ecoava no túnel. Mas criaram um universo compartilhado naquela estação. Dean começou a incorporar batidas urbanas, ruídos sampleados do metrô, em suas valsas. The LV começou a usar cores mais suaves, formas mais fluidas, inspiradas pela melodia.

O amor nasceu naquele espaço de criação mútua, um flerte perigoso e anônimo entre a ordem das notas e o caos do spray. Até que a cidade interveio. Uma operação de limpeza da prefeitura mirou os grafites do “vândalo LV”. As obras começaram a ser apagadas. A coluna com o piano foi a primeira a ser coberta por um cinza opaco.

Naquela noite, o som de Dean era de luto. As notas caíam pesadas, despedaçadas. Ele tocou até as mãos doerem. Quando se calou, o silêncio foi absoluto. E então, um som. O chiado de uma lata de spray. Virando-se, ele viu The LV, não mais uma sombra, mas uma figura real de costas para ele, terminando freneticamente um novo mural na parede agora nua: era um retrato distorcido, em preto, branco e prata, de um homem curvado sobre um piano. A música visível saindo do instrumento não eram notas, mas uma revoada de pássaros mecânicos. Era ele. Era Dean.

The LV se virou. O capuz escorregou um pouco. Dois olhos intensos, cheios de desafio e uma vulnerabilidade crua, encararam Dean. Pela primeira vez, se viram. Não havia como negar o que havia entre eles: era arte, era desafio, era reconhecimento.

— Eles vão apagar de novo amanhã — disse Dean, a voz rouca de tanto calar-se.
— Tudo é efêmero, pianista — respondeu The LV, a voz surpreendentemente suave. — A música some no ar. A tinta some sob a tinta. O que fica é o que foi sentido.

Dean levantou-se, foi até seu piano, e começou a tocar a nova peça que havia composto naquela semana, uma fusão completa de seus dois mundos. The LV sentou-se no chão, encostado na parede molhada, e apenas ouviu, com os olhos fechados, um leve sorriso nos lábios.

Não trocaram números. Não marcaram um encontro. Sabiam que a cidade era seu inimigo e sua cúmplice. Mas a partir daquela noite, Dean passou a tocar sempre perto dos novos trabalhos de LV, como uma trilha sonora em tempo real. E The LV passou a pintar sempre onde a música de Dean podia ser ouvida.

Eles se tornaram uma lenda urbana: o pianista e o rouxinol de aço, cuja história de amor não era contada em palavras, mas em cores e sons, sempre à beira do apagamento, sempre renascendo na estação seguinte, no mural novo, na nova canção. Juntos, provaram que até no coração de concreto da cidade, um rouxinol pode cantar para um piano, e um piano pode aprender a voar.

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